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segunda-feira, 15 de março de 2010

O triunfo da corrupção - um comentário a Vasco Pulido Valente

No Público de 12 de Março de 2010, na coluna Opinião, Vasco Pulido Valente (VPV) diz-nos que "os portugueses toleram (ou, mais precisamente, aprovam) a corrupção". Remata o seu texto informando-nos que "Não é agora altura de mudar os costumes".

Obviamente que isto é o que VPV pensa. Melhor, é o que VPV deseja. A corrupção, como toda a gente sabe, tem origem nas grandes diferenças sociais, e resulta basicamente do desejo das camadas privilegiadas de continuarem a ser privilegiadas. Quem não tem privilégios, e deseja a eles aceder, tem de violar as regras e recorrer a tratamentos de favor. Tem de procurar que algum privilegiado lhe dê uma ajuda, em troco sabe-se lá do quê. A não ser que algum familiar, ou amigo do peito, resolva ajudar graciosamente, de boa vontade, sem pedir retribuição. Portugal continua a ter grandes diferenças sociais. Os privilegiados querem continuar a ser privilegiados. VPV acha muito bem. Eu não. Será isto o direito à diferença?

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

O BCP

A questão do BCP tem dominado a vida nacional. É claro que os prejuízos causados pelos conflitos entre os cavalheiros que campeiam naquela instituição vão ser pagos por todos nós, Entretanto, uma das tretas que nos querem fazer engolir é de que a crise causada por aqueles conflitos deriva da intromissão do Estado. Contudo uma leitura superficial dos jornais revela que muitas coisas falharam e, entre elas, a actuação adequada do órgão fiscalizador, o Banco de Portugal.
Na realidade, e ao contrário da citada treta, mais uma vez se desvela o peso que os lobbies privados têm no país. São eles que controlam o Estado, e não o Estado que os controla a eles. Veja-se o número de ex-governantes e de altos funcionários que cirandam pelas listas candidatas. E destaca-se entre eles Miguel Cadilhe, ex - Ministro das Finanças de Cavaco Silva. Na sua lista aparece também Bagão Félix, com grande currículo governamental. Na outra, a acompanhar Santos Ferreira aparece Armando Vara, veterano da banca e de lugares públicos. Bom, vão-me dizer, tu tens é inveja.
Afianço que não tenho inveja. E que acho que esta Nomenklatura (não era uma coisa destas que se dizia que existia na União Soviética?) defende os tais lobbies privados (dos quais são membros destacados) e não o Estado, ou os portugueses. Passeiam-se para cá e para lá, e nós a vê-los. Com inveja, claro, dirão. Hoje, o prestimoso José Manuel Fernandes, no seu editorial no Público, diz que "o mais valioso capital social de uma comunidade está para além das leis, está nas regras de comportamento não escritas que tornam insuportável aos seus membros conviver com o excesso de injustiça. Ou ser parte dessa injustiça." Está ele com receio de que apareçam leis a controlar a Nomenklatura?