sábado, 25 de julho de 2015

Um livro que eu li - Problemas Fundamentais da Teoria Literária, de Werner Krauss

1900 - 1976

Título original:


  • Grundprobleme der Literaturwissenschaft. Rowohlt, Reinbek 1968

Li, em Junho de 2015, a versão portuguesa, da editorial Caminho. A tradução é de Manuela Ribeiro Sanches, e a edição data de 1989. 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

LUSÍADAS, CANTO III, ESTROFE VI.







Entre a Zona que o Cancro senhoreia,
Meta Setentrional do Sol luzente,
E aquela que por fria se arreceia
Tanto, como a do meio por ardente,
Jaz a soberba Europa, a quem rodeia,
Pela parte do Arcturo e do Ocidente,
Com suas salsas ondas o Oceano,
E, pela Austral, o Mar Mediterrano.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Juicio moral de los cometas, de Francisco Quevedo

Francisco Gómez de Quevedo y Santibañez Villegas
1580 - 1645

Ningún cometa es culpado
ni hay signo de mala ley,
pues para morir penado,
la envidia basta al privado
y el cuidado sobra al rey.

De las cosas inferiores
siempre poco caso hicieron
los celestes resplandores;
y mueren porque nacieron
todos los emperadores.

Sin prodigios ni planetas
he visto muchos desastres,
y, sin estrellas, profetas:
mueren reyes sin cometas,
y mueren con ellas sastres.

De tierra se creen extraños
los príncipes deste suelo,
sin mirar que los más años
aborta también el cielo
cometas por los picaños.

El cometa que más brava
muestra crinada cabeza, 
rey, para tu vida esclava,
es la desorden que empieza
el mal que el médico acaba.

Fui buscar este poema de Quevedo a uma antologia poética da Alianza Editorial, 1985, Madrid. Prólogo e selecção de Jorge Luis Borges.

domingo, 16 de setembro de 2012

sábado, 31 de dezembro de 2011

Morre lentamente quem não viaja, por Pablo Neruda

       



              Morre lentamente quem não viaja,

           Quem não lê,

           Quem não ouve música,

           Quem destrói o seu amor-próprio,

           Quem não se deixa ajudar.



           Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,

           Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,

           Quem não muda as marcas no supermercado,

           não arrisca vestir uma cor nova,

           não conversa com quem não conhece.



           Morre lentamente quem evita uma paixão,

           Quem prefere O "preto no branco"

           E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,

           Justamente as que resgatam brilho nos olhos,

           Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.



           Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,

           Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,

           Quem não se permite,

           Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.



           Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva incessante,

           Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,

           não perguntando sobre um assunto que desconhece

           E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.



           Evitemos a morte em doses suaves,

           Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o

           Simples acto de respirar.

           Estejamos vivos, então!



quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Um livro que eu li - "The Man who was Thursday", de G. K. Chesterton

A semana passada, vinha no avião de Madrid (dia 22 de Dezembro) conclui a leitura de The Man who was Thursday, de Gilbert Keith Chesterton (1874 - 1936). Dirão: que lugar para acabar de ler um livro! Mas foi o que aconteceu.

O livro teve a sua primeira publicação em 1908. A edição que li é a da Penguin Red Classic, de 2007. Tem um poema à entrada a dedicar o livro a Edmund Clerihew Bentley, outro escritor que creio ter ficado conhecido como E. C. Bentley. Ao fim do livro foi anexado um extracto de um artigo do autor, publicado no Illustrated London News em 13 de Junho de 1936, véspera da sua morte. Nesse extracto, Chesterton recorda a importância do título de um livro, e que o título deste é, na realidade, The Man who was Thursday: a Nightmare. Posto isto, trata-se de uma obra tremenda, extremamente irónica, com uma crítica demolidora ao activismo político. Sobretudo ao activismo em moldes de sociedades secretas. E, claro, à perseguição que a polícia lhes faz.

Convém não esquecer as propensões religiosas e políticas do autor, que obviamente descria das ideias mais revolucionárias e da natureza das pessoas. O seu fantástico sentido de humor permite-lhe tornear algumas dificuldades, como por exemplo na cena na aldeia francesa.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Linha Inquebrável, de Fiama Hasse Pais Brandão (1938 - 2007)






O plátano, o poço, em cada reino
são a mediação do húmido e da flora.
Uma horda invade, o vento absorve
a folha digitada: mão
que, à beira, oferece o gládio ao próximo,
ao alheio; o huno vence
o huno; o cuteleiro cria
o símbolo inox; habitam, habita-se as arcas
que o inverno transmutou em hastes.
Que boca sustentar entre esta mina funda
e o omnívoro rebento?
Que procriar, num espaço com dois pólos,
poço, plátano e a atracção fono-
gráfica: ouves a terra com os pilares de hélio,
com um reino e o habitante
sem o nexo. No magro inverno o espólio
é o ventre (de palavras) dourado nesta tarde em
que nada é vão. E o vão está cavado
em poliester.